Mulheres na engenharia

06/03/2017:
Em 2010, 63% de todos os títulos acadêmicos de nível superior concedidos no País foram para as mulheres.

Na foto da USP, entre os colegas, Evelina Bloem Souto, a primeira mulher a formar-se engenheira por São Carlos

Em 2010, 63% de todos os títulos acadêmicos de nível superior concedidos no País foram para as mulheres. Elas são maioria – representando de 52% a 77% do total de títulos – nas áreas de educação; humanidades e artes; saúde; ciências sociais, direito e administração; e serviços. No entanto, nos setores de engenharia ainda estão em minoria, em torno de 30%. Os dados constam de artigo do jornalista Carlos Orsi, publicado na Revista Ensino Superior, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 2012.

É nesse universo que muitas mulheres têm realizado o sonho de se formar na área. Foi assim com Evelina Bloem Souto, a única a receber o diploma na modalidade civil na Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), em 1957. E é assim, após 60 anos, apesar da realidade ter mudado bastante, como constata estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a pedido da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). Em 2003, elas representavam 16,8% do total dos empregados; em 2009, eram 18,7%; e em 2013, atingiram o patamar de 20,8% (confira quadros nesta página).

Cherolee Ramos, de 23 anos, é uma dessas. Formada em Engenharia Mecânica, no início dos estudos, descreve, “numa sala com apenas três mulheres e uns 60 homens”, criou o blog Mulheres na Engenharia. “Era para motivar, brincar e expor experiências e mostrar que a mulher pode sim cursar a área de exatas em geral, não só a engenharia, e ser reconhecida por isso”, explica.

Atualmente, ela procura emprego – “está difícil para todo mundo hoje” –, mas já atuou na área durante estágio em 2015. A jovem avalia que as profissionais ainda são vítimas de preconceito e pensam em desistir em certos momentos. “Mas estamos empenhadas e decididas a conquistar esse mercado”, garante. Para endossar a posição, Ramos cita notícia de que a Universidade de Dartmouth (EUA), no ano passado, entrou para a história ao formar mais mulheres (54%) do que homens em um curso de engenharia – um país em que, em média, só 19% dos diplomas da área vão para o sexo feminino.

Apesar do caminho ainda não muito fácil, Ramos diz que é possível ver homens lutando por mais mulheres na área e acredita que a união faz a diferença para mudar ainda mais o perfil da categoria e garantir valorização para ambos os sexos no exercício profissional.

Fique sabendo

O Brasil tem mais mulheres do que homens. De uma população de 195,2 milhões de habitantes, 100,5 milhões – ou 51,5% – são mulheres e 94,7 milhões são homens – 48,5% do total. As mulheres também obtêm destaque na escolaridade. Os dados são do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, segundo o qual o nível de instrução feminina ficou mais elevado que o dos homens. Na população masculina de 25 anos ou mais de idade, o percentual de homens sem instrução ou com o fundamental incompleto foi de 50,8% e o daqueles com pelo menos o superior completo, 9,9%. Na população feminina, esses indicadores foram 47,8% e 12,5%, respectivamente.

 

 

Fonte: http://www.fne.org.br/index.php/todas-as-noticias/4049-mulheres-na-engenharia

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