Após 48 horas de paralisação, SENGE cobra postura firme e resolutiva do presidente da COSANPA para os serviços da rede de assistência à saúde.
10 de Julho, 2025A paralisação geral de 48 horas realizada nos dias 8 e 9 de julho pela categoria dos engenheiros, organizada pelo SENGE em conjunto com Sindicato dos Urbanitários do Pará, evidenciou o clima de desespero e apreensão frente à inércia das lideranças da empresa mediante uma situação tão séria no que tange o abandono e o desamparo dos empregados ativos e aposentados que estão sem a cobertura de um plano de assistência médica.
Descumprimento legal – Risco à saúde e à vida dos trabalhadores
Os sindicatos alertam que a nova estrutura de atendimento compromete a continuidade de tratamentos essenciais e de alto custo, como terapias e procedimentos complexos, deixando centenas de famílias vulneráveis. Essa atitude, além de ferir direitos trabalhistas, configurar descumprimento do ACT, um instrumento com força jurídica que a COSANPA está obrigada a respeitar.
O contrato com a antiga operadora de saúde que assistia os trabalhadores, trabalhadoras, aposentados e seus familiares, completou sua vigência e, em virtude da cosanpa não haver cumprido com o pagamento pela prestação de serviços (há débitos com a operadora), a Unimed, que prestou a assistência à saúde por 16 anos, optou por não participar de um novo credenciamento, para uma nova contratação. E, dessa forma, a HAPVIDA entrou no credenciamento e foi contratada pela Cosanpa.
Ocorre que a nova contratada, a HAPVIDA, não tem abrangência em todo o estado, possui cobertura apenas na região metropolitana de Belém. Diante dessa realidade, muitas pessoas estão desamparadas, tratamentos foram descontinuados, em desespero, muitas estão tendo que arcar, de acordo com suas possibilidades e com diferentes níveis de gravidade, de forma particular, o que não condiz com a realidade financeira da maioria. Situação crítica que acarreta muito sofrimento físico e emocional tanto para as pessoas enfermas, quanto para seus familiares, principalmente, os idosos, aqueles que já prestaram uma vida de contribuição e força de trabalho para o crescimento e perpetuação da empresa. Uma total afronta ao acordo coletivo e à dignidade humana no que diz respeito à qualidade de vida e saúde.

A saúde não pode esperar – Mais que desrespeito, o que o presidente da COSANPA está fazendo é desumano!
Exigimos que essa questão, que é prevista e assegurada pelo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) vigente, não pode ser tratada como vem sendo, a presidência da empresa quer que nos contentemos com esse “tapa buraco” que nos foi trazido e que não resolve o problema de todos, pois não contemplam adequadamente o atendimento às nossas necessidades. Enquanto um colega que seja, estiver desamparado, todo o conjunto da categoria de empregados e empregadas da COSANPA estará unido em prol da conquista da resolução desse problema severo que recai sobre a saúde e que impacta diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores.
“O abandono dos trabalhadores e trabalhadoras e dos aposentados e aposentadas, que perecem sem cobertura de assistência à saúde e, principalmente, aqueles que neste momento dependem de cuidados contínuos, é uma afronta aos princípios da dignidade e da proteção social assegurados por lei. A presidência e a diretoria da COSANPA agem de forma intempestiva e ilegal ao impor essa realidade às pessoas, sem diálogo e sem, pelo menos, sinalizar a adoção de medidas e de ações que estejam sendo articuladas para resolver a questão.”, afirma o Sindicato dos Engenheiros no Estado do Pará (SENGE/PA).
Caos administrativo e falta de transparência
Durante os dias de paralisação, as discussões evidenciaram o impacto negativo na Unidade de Relações Trabalhistas, que teve que atender emergências relacionadas à ausência do plano de saúde e ao não reconhecimento dos dependentes pela nova operadora Hapvida. Os sindicatos denunciam ainda a inoperância da gestão da COSANPA em resolver essas questões e criticam o desperdício de recursos públicos, com doações de materiais hidráulicos sem critérios, enquanto serviços essenciais correm risco de paralisação.
Exigência por respeito, transparência e gestão responsável
O movimento de paralisação reforça a cobrança por transparência e respeito aos direitos adquiridos dos trabalhadores, bem como por uma gestão comprometida com a qualidade do serviço público. Os sindicatos reafirmam que a luta continuará até a reversão apatia e negligência da presidência e da atual diretoria da COSANPA, com respaldo jurídico e mobilização contínua.
“A presidência da COSANPA tem a obrigação legal e ética de tratar com os representantes dos trabalhadores, respeitando os acordos firmados e garantindo a manutenção do plano de saúde conforme previsto no ACT. Seguiremos firmes para assegurar que os direitos não sejam desrespeitados e que a saúde e o bem-estar dos empregados e aposentados sejam preservados”, conclui o SENGE/PA.
A paralisação dos dias 8 e 9 de julho foi um marco na luta por dignidade e respeito aos trabalhadores da COSANPA. A categoria reafirma seu compromisso com o bem mais precioso do conjunto de trabalhadores, a vida, e, também, para com a defesa da prestação dos serviços públicos de saneamento de qualidade e, diante deste cenário, faz um chamado à sociedade paraense a apoiar essa causa vital e fundamental.

